Ou eu encontro um caminho, ou eu o FAÇO...


Caro Sentimento de Perda,


Quando você chegou, não veio tranqüilo e brando como eu tanto implorei. Deixou-me entrar em desespero e eu tanto pedi que tivesse cuidado, pois tenho que lidar com o que perdi, com o que ficou, comigo e com você.


Eu pedi que não fosse vazio e sem sentido, de tal maneira que, mesmo que sua presença tivesse que ser negativa, eu preciso colher algo que me faça amadurecer nesse estado ressentido.


A fortaleza das meninas cometeu muitas falhas. Contudo, elas não macularão estas linhas, que lhe escrevo agora. O mais doloroso dos erros e que talvez eu pague para sempre seja o de não ter assumido minha fraqueza para mim mesma. Doloroso porque sabemos que o tempo não volta e quando eu me escondia era a forma que conseguia me sentir uma verdadeira gigante diante dos momentos em que o medo tentasse me paralisar. É doloroso porque não sei se isso foi verdadeiramente um erro... Um erro mortal ou vital.


Venha, mas faça-me sentir que perdi apenas o que realmente foi embora, e não todas as milhares de coisas ao meu redor que me fazem ter motivos para viver.


Eu não quero viver no escuro absoluto, mas eu sei que é justamente no escuro, é nesse escuro da em que o espírito do homem brinca de ser livre, que essa mesma ingenuidade muda de humor e teima em nos apresentar um sentimento do qual eu – ingenuamente – sempre busquei me manter distante: o desespero.


Agora que você não quer me deixar em paz, venha, mas não me faça afogar em lágrimas e nem me sufocar no meu amor-próprio. Apenas me dê a noção de que as coisas vão e vêem, e que nenhuma Vida é um caminho de terra trilhado no meio dos campos verdejantes, e sim asfalto esburacado no meio de uma cidade barulhenta e cheia de curvas.


Ao invés de me prender à coisa perdida, venha e me traga a liberdade daqueles que amam puramente, sem egoísmo e com olhares gauche sobre tudo que já foi embora, prezando apenas pelo bem-estar dos que ficaram e de mim mesma.


Enfim, querido Sentimento de Perda, seja Divino, e não Humano.






Escrito por Menina de Ouro às 20h36
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